VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA AMÉRICA LATINA

A violência contra as mulheres é generalizada na América Latina, onde entre 45% e 60% dos homicídios com vítimas do sexo feminino são cometidos pelos maridos. Cerca de 50% das mulheres declaram ainda ser regularmente espancadas. Os números fornecidos pelas Nações Unidas relativos à violência dentro do lar indicam que enquanto pelo menos uma de cada 10 mulheres no mundo já foram agredida pelo cônjuge, na América Latina a média é de cinco espancadas para cada 10. Estudos realizados em cada país mostram, por exemplo, que no Equador 60% das mulheres declaram já ter sido surradas por seus companheiros. Na Colômbia, 20% admitem ter sofrido abusos físicos; 33%, pressões psicológicas; e 10%, violações por parte do marido. Já no Chile, duas em cada três mulheres declaram ter sido vítimas de violência dentro de casa (26% violência física e 33%, psicológica). Esses dados foram extraídos de diversas pesquisas nacionais reunidas no documento "Violência de gênero: um problema de direitos humanos", da Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina e Caribe (CEPAL), divulgado ontem em Santiago do Chile. A análise é um dos documentos que a CEPAL levou para a 4a. Conferência Regional sobre a Integração da Mulher ao Desenvolvimento da Região, que começou ontem em Mar del Plata, Argentina, e que se destina a preparar a Cúpula da Mulher, em Pequim, China, em 1995. Segundo a CEPAL, a violência constitui um problema de direitos humanos em que o fator de risco ou a vulnerabilidade resulta apenas do fato de as vítimas serem mulheres. As consequ"ências físicas são fraturas, queimaduras, hematomas, problemas ginecológicos, abortos e até mesmo invalidez permanente e morte. E as consequ"ências psicológicas vão desde a depressão, ansiedade e estresse até o abuso de substâncias tóxicas, frigidez, baixa auto-estima e suicídio. A CEPAL menciona uma série de providências que os governo tem tomado para melhorar a situação e cita especificamente a criação de delegacias de mulheres no Brasil. Diante desse quadro, a Comissão propõe várias medidas destinadas a aumentar o acesso das mulheres aos processos de tomada de decisão para reduzir as desigualdades existentes e permitir que as mulheres se situem em um plano de igualdade econômica e social frente aos homens (JB).