FHC QUER EVITAR REAL SOBREVALORIZADO

O candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, disse ontem que considera positiva a adoção pelo atual governo de medidas para evitar a sobrevalorização do real. Mas observou que não sabe se a equipe econômica planeja fazer algo nesse sentido. Perguntado se o governo deveria tributar a entrada de dólar no país, FHC disse que pode vir a ser uma medida necessária, "como foi no Chile. A economia tem de ser gerida de forma técnica mais eficaz possível. É um bom sinal estar vindo dinheiro para cá e o governo está atento a isso". A tendência, disse, é de sobrevalorização do real. "É preciso evitar o excesso de moeda forte que possa valorizar demais o real. Nosso problema agora é de sobrevalorização do real porque isso pode afetar as exportações e o governo vai tomas as medidas cabíveis". O candidato disse ainda que a Taxa Referencial (TR) terá mesmo de ser extinta, porque sua utilização como indexador só fazia sentido quando havia inflação. Mas ele afirmou que a caderneta de poupança não será prejudicada porque haverá outros mecanismos para preservar a rentabilidade do investimento. Também defendeu a necessidade de uma reforma tributária, logo após as eleições, para equilibrar as contas do Tesouro, já que o IPMF, disse ele, deverá terminar mesmo no final do ano, como prevê a lei que criou o imposto provisório. A preocupação do candidato com relação ao câmbio se justifica. O dólar tem-se mantido em queda e nem mesmo a intervenção do governo na última semana conteve a valorização do real. A entrada líquida de dólares no país já caiu em agosto, quando o superávit da balança cambial foi de US$273 milhões, 23,44% inferior a julho. Mas o real continua valorizando- se. No último dia 23, o dólar chegou a subir com a notícia da regulamentação do fundo de investimento no exterior, o primeiro produto para aplicação em dólares por brasileiros. Os títulos da dívida externa brasileira também refletiram um possível aumento da demanda e do controle monetário. O IDU, o títulos mais negociado do Brasil, foi cotado a 82,75 centavos por dólar, o preço mais alto desde janeiro último. No mercado, porém, ainda não há unanimidade sobre o potencial do fundo em conter a queda do dólar. O Fundo de Investimento no Exterior poderá captar US$2 bilhões, num prazo de 120 dias, na estimativa de Igor Cornelsen, do West Merchant Bank. Há estimativas mais céticas, mas de maneira geral sua criação foi aplaudida pelo mercado como mais uma alternativa de investimento e como medida inteligente do governo na administração da política cambial (GM).