O desmatamento progressivo da floresta amazônica irá provocar um aumento de cerca de dois graus na temperatura da região. Essa é uma das conclusões do projeto Abracos (Estudo Anglo-Brasileiro de Observações do Clima da Amazônia), que desde 1990 vem se dedicando a analisar os efeitos dos desmatamentos no clima, nas florestas e nas pastagens da região. "Nas áreas desmatadas, a evaporação é da ordem de 20% a 30% menor do que nas áreas de floresta", afirmou o coordenador do projeto Abracos pelo Brasil, Carlos Nobre. De acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) obtidos em 1991, dos quatro milhões de quilômetros quadrados de floresta amazônica, 435 mil quilômetros quadrados já foram desmatados. Isso corresponde a cerca de 10% da área total ocupada pela região de floresta nativa. Além da modificação na temperatura, o projeto Abracos também detectou em uma área de floresta ainda intacta em Rondônia o desequilíbrio entre a quantidade de gás carbônico absorvido e liberado, o que poderá acabar influenciando o "efeito estufa". Até recentemente, a maioria dos cientistas considerava que para a floresta tropical virgem deveria haver equilíbrio, isto é, o total de carbono assimilado na fotossíntese deveria ser igual ao total de carbono liberado na respiração. "Entretanto, esse equilíbrio não se confirmou na Amazônia e há uma tendência da floresta em absorver mais carbono do que liberar", disse Carlos Nobre. Segundo ele, a absorção de gás carbônico detectada é da ordem de uma tonelada por ano. O coordenador do projeto Abracos frisou, no entanto, que o impacto desse fenômeno sobre o chamado "efeito estufa" só poderá ser avaliado depois de observado o comportamento em outras florestas tropicais do mundo (JB).