O Ministério das Relações Exteriores incluiu nos preparativos da VIII Cúpula do Grupo do Rio, dias nove e 10 de setembro, gastos com brincos, colares e ternos. Sem que ninguém no Itamaraty ou no Palácio do Planalto saiba explicar a razão, o balanço apresentado ontem pela Coordenadoria Executiva da Secretaria Pró-Tempore do Grupo do Rio, encarregada de organizar o encontro, mostra que foram feitas despesas com objetos de uso pessoal, alguns de grifes famosas. O Itamaraty comprou brincos e colares na joalheria H. Stern. O valor total, que consta na nota de empenho, foi de R$202,59. A nota não especifica a quantidade de ternos masculinos comprados na loja Tavares Carvalho, mas os R$1.200,00 gastos pelo Itamaraty dariam para comprar, por exemplo, sete ternos de tecido importado na Hugo Boss de Brasília, uma das lojas mais caras do país. Todo o balanço das compras da secretaria que gerenciou a reunião da VIII Cúpula do Grupo do Rio foi publicado ontem no "Diário Oficial" da União. Os diplomatas encarregados das compras gastaram o equivalente a 16 salários-mínimos (R$1.220,00) em mangas de vidro decorativas, na José Ramos AntiguIdades e Consertos. A lista total de pequenos gastos divulgada ontem, com 37 itens gerais, soma R$18 mil, mas não inclui os jantares e coquetéis fornecidos aos 14 presidentes da América Latina e Caribe que participaram do encontro. Também não leva em conta o bufê oferecido no Palácio Itamaraty para 1.500 convidados. Não inclui, tampouco, o arrendamento do Hotel Glória por seis dias. Nesta lista estão relacionadas apenas despesas menores, como a limpeza de pratarias, que consumiram R$950,00. Outros gastos do Itamaraty listados no DO de ontem chamam a atenção. As despesas com aquisição de cestas de lixo, por exemplo, atingiram R$1.150,00, valor três vezes maior que o dos sofisticados serviços de chá da Atrium Del-Rey (R$400,00) oferecido durante o evento. O governo não conseguiu ontem justificar determinados itens. O Palácio do Planalto limitou-se a dizer que o presidente Itamar Franco compra suas roupas com o próprio dinheiro. O secretário Ewerton Lucero, da Assessoria de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores, mostrou-se surpreso com as compras do Itamaraty. Para ele, os guarda-chuvas (R$493,50) e capas (R$585,00) podem ser justificados pelo tempo chuvoso (O Globo).