SÃO PAULO TEM 4.549 SEM-TETO

A cidade de São Paulo tem 4.549 moradores de rua. Esse é o número final da contagem feita por funcionários da prefeitura e de entidades assistenciais divulgado ontem pelo secretário da Família e Bem-Estar Social, Adail Vettorazzo. A contagem foi realizada por cerca de 300 pessoas em toda a cidade-- que foi dividida em 17 regiões-- na noite do último dia 23 de agosto. Foram visitados 589 pontos de pernoite de indigentes. Em 473 locais, havia moradores de rua. Não foram considerados sem-teto as pessoas que "têm vínculo familiar e que moram em construções como barracos rudimentares sob viadutos", segundo o secretário. A região da Sé, que abrange o centro e bairros vizinhos, lidera no número de sem- teto: 3.032 (66%). Do total, 2.800 pessoas foram encontradas nas ruas, 1.055 em abrigos provisórios da prefeitura e 694 em albergues conveniados e do estado. Dos 2.800 sem-teto achados nas ruas, 2.006 (71,6%) foram efetivamente contados. Os outros 794 foram computados em uma contagem aproximada por estarem em áreas fechadas, como cabanas de papelão. Os homens são maioria. Foi identificado o sexo de 1.510 (54%) pessoas achadas nas ruas. Havia 1.213 homens (80%), 135 mulheres (9%) e 162 crianças (11%). Os 4.549 sem-teto computados representam um crescimento de 34% em relação à última contagem oficial, feita em 1992, quando a prefeitura contabilizou 3.392. Na ocasião, a contagem se restringiu à área da Sé, contra as 17 áreas do "censo" de 94. O secretário municipal disse que o número é "totalmente confiável e servirá de base para a política municipal de atendimento à população de rua". Entre as propostas, estão a criação de centros de vivência e a concessão de auxílio-moradia. O projeto vai custar cerca de US$1 milhão por mês (FSP).