CANDIDATOS DIVERGEM SOBRE POLÍTICA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

As divergências entre os programas dos dois principais candidatos à Presidência da República se estendem também para a área de ciência e tecnologia. Enquanto o projeto de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) aposta na conquista de maior participação do setor privado nos investimentos para este setor, o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê a mesma proporção de rateio dos gastos que ocorre hoje: 90% feitos pelo setor público ante 10% pelo setor privado. O governo federal perdeu completamente a sua capacidade de investimento em
82540 C & T, por isso precisamos de recursos que garanta a regularidade e
82540 previsibilidade do orçamento para essa área, diz o coordenador da política de C & T do PSDB, o ex-ministro Décio Leal de Zagottis. "Não houve perda da capacidade de investimento do governo federal e sim muita corrupção; o maior volume de investimento para a área de C & T tem que vir do setor público", afirma o coordenador do programa do PT, Rubens Costa Boffino. A ênfase da política de C & T de FHC será dada para a inovação tecnológica. "A inovação tecnológica é que vai permitir ao setor produtivo brasileiro fazer frente à abertura da economia; e, neste campo, o Brasil está bem atrasado", diz Zagottis. No pacote do PSDB o setor privado entra como o primo rico que poderá dar a contrapartida naquilo que o partido denomina como "tecnologia competitiva"-- aquela que agrega inovação tencológica, estando inteiramente voltada para o setor produtivo. Já a política científica e tecnológica petista está concentrada nas mãos do governo federal o qual cabe definir e planejar as prioridades para o desenvolvimento tecnológico do país. Aqui as prioridades de investimento são as chamadas áreas sociais: agronomia, medicina, biologia, saúde, educação, informática e ciências humanas. "O princípio da plataforma petista é o desenvolvimento de um mercado interno de massas", diz Boffino. Ele explica que para isso se pretende orientar os investimentos científicos e tecnológicos para garantir o sucesso das políticas dos setores de habitação, saúde, educação, infra-estrutura urbana, agricultura etc. Dentro dessa proposta o setor científico estaria mais concentrado nas universidades, enquanto o desenvolvimento tecnológico seria levado pelos institutos e centros de pesquisa. "O PT não descarta a parceria com o setor privado, mas a proporção desta participação não seria ampliada", diz Boffino (GM).