O projeto experimental de distribuição grátis de seringas e agulhas descartáveis a viciados de drogas, na tentativa de reduzir a infecção pelo vírus da AIDS, começará a partir de novembro por cinco cidades que ainda estão sendo definidas pelo governo. Apesar do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen) do Ministério da Justiça ter aprovado no início do mês a realização dos projetos nas cidades de Santos (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Campo Grande (MS), Itajaí (SC) e Florianópolis (SC), a decisão final terá de ser tomada pelos ministérios da Justiça e da Saúde. Ao dar ontem a informação, a diretora do Programa de Combate à AIDS, Lair Guerra de Macedo, autorizou o depósito de US$1 milhão, referentes à contrapartida ao financiamento do Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas. Pelo projeto experimental de distribuição de seringas, os viciados cadastrados poderão procurar centros de saúde e universidades envolvidas no programa para trocar seringas e agulhas usadas por outras novas, sem temer a intervenção policial. Os usuários de drogas injetáveis representam hoje 25,1% dos registros, contra 3% dos casos em 1986. O Brasil acumula 55.894 casos de AIDS entre 1980 até o início deste mês. Lair Guerra anunciou que está ocorrendo uma estabilização dos casos de AIDS (pessoas que já apresentam o sintoma da doença) notificados nos últimos anos. Os registros de pessoas doentes quadruplicaram entre 1983 e 1984. Já entre 1991 e 1992, os números mantiveram-se quase iguais de um ano para outro (O ESP).