Crianças e adolescentes do Brasil, Honduras, Bangladesh e EUA disseram ontem no Senado norte-americano que são submetidos a condições terrives de trabalho, ganhando muito pouco. Estas testemunhas estão entre as quase 200 milhões de crianças que trabalham no mundo, numa violação das regras internacionais de trabalho denunciada em um documento do Departamento do Trabalho do Escritório de Assuntos de Trabalho Internacionais. O brasileiro Roberto Carlos Guimarães, de 17 anos, disse aos congressistas que começou a trabalhar em uma fábrica de sapatos quando tinha 11 anos. Segundo ele, as condições sanitárias são ruins, e os trabalhadores são expostos a produtos químicos. Nazma Akther, de 19 anos, nascida em Bangladesh, também começou a trabalhar aos 11 anos. Ela ganha US$15 por mês, e trabalha 70 horas por semana. "Me batiam quando eu errava ou chegava atrasada", disse. O documento diz que as crianças são exploradas porque são mais obedientes, têm menos direitos legais e reagem menos que os adultos aos maus tratos ou às condições de trabalho. "A tragédia do trabalho das crianças tem proporções globais e está piorando. A situação é deplorável", declarou o senador democrata por Iowa, Tom Harkin, que propôs um projeto de lei que impede as importações de produtos feitos por crianças. "Nada se compara ao horrendo, brutal e inumano tratamento dos milhões de crianças trabalhadoras no mundo", acrescentou o senador democrata pelo Ohio Howard Matzenbaum (JB).