ARGENTINA PROPORÁ FIM DE TODOS OS SUBSÍDIOS

A Argentina vai propor o fim de todo tipo de subsídios na reunião de cúpula das Américas, nos dias 10 e 11 de dezembro, em Miami, anunciou ontem, em Brasília (DF), o chanceler Guido di Tella. "Basicamente é uma mensagem para os EUA e o Canadá", disse, comentando que seu país sofre perdas de mais de US$100 milhões por ano só com as exportações subsidiadas de trigo ao Brasil provenientes da Alemanha e do Canadá. A proposta argentina surpreendeu os diplomatas brasileiros porque até agora não tem constado das discussões do Grupo do Rio-- de países latino-americanos e caribenhos-- encarregado de sugerir uma agenda de temas para o governo norte-americano, anfitrião da cúpula de Miami. Indagado sobre o assunto, o chanceler Celso Amorim disse que "não tem nada contra" a sugestão argentina porque o Brasil defendeu o fim dos subsídios na Rodada Uruguai do GATT. O governo argentino está perfeitamente de acordo com a proposta do governo Clinton de discutir em Miami o tema da "good governance" (eficiência e transparência do Estado), que se contrapõe à corrupção. O ministro argentino defendeu a política de privatização do governo Menem que, segundo ele, "reduziu drasticamente a corrupção e a intervenção do Estado". O Brasil não é contra a discussão sobre "good governance", mas não aceita que da reunião das Américas saia um receituário sobre o que os países devem fazer para ser mais eficientes. "Não estamos pedindo que a cúpula decida privatizar tudo. A posição argentina é de que a privatização elimina a corrupção e permite melhorar a eficiência. O que vamos propor é que cada país lute como possa. Nós temas uma maneira e ela é muito efetiva", afirmou Guido di Tella (GM).