TRÁFICO DE DROGAS PODE AUMENTAR COM O REAL

O embaixador dos EUA no Brasil, Melvyn Levtsky, afirmou temer que a estabilização da economia, "com uma moeda forte, o real", contribua para tornar o país um grande mercado consumidor de drogas. "Muitos traficantes agora podem imaginar correr menos risco vendendo a droga aqui mesmo, em vez de transportá-la até os EUA e a Europa", disse Levitsky, que pela primeira vez falou em público sobre a questão num seminário realizado no final de agosto em Belo Horizonte (MG). Além deste alerta, os participantes do encontro apresentaram outros dados preocupantes. Cerca de 25% dos jovens brasileiros usam drogas, média que supera 30% em algumas capitais. Houve também uma queda na faixa etária dos viciados. Hoje, entre os usuários aparecem crianças de nove a 12 anos; 25,4% dos jovens que usam drogas têm entre 11 e 18 anos. Estas informações contam da Carta de Belo Horizonte, redigida após o 1o. Congresso Brasileiro de Prevenção ao Uso de Drogas. O encontro mostrou que a preocupação das autoridades estrangeiras com a comercialização de drogas é grande. O embaixador da Itália, Oliviero Rossi, e um representante da ONU informaram que "há agora interesse e empenho das nações desenvolvidas em um maior intercâmbio" com o país. "A falta de controle, prevenção e repressão no Brasil acaba se refletindo em maiores facilidades de difusão da droga em seus próprios países", disseram (O ESP).