O combate à fome no Rio de Janeiro já tem mais um projeto: o recolhimento de sobras de alimentos que, em sua maioria, são hoje desperdiçados. A coordenadora do Programa Maga Cidades/RJ, Marlene Fernandes, explicou que o objetivo é a coleta desses alimentos e sua distribuição para entidades credenciadas que têm programas de alimentação gratuita aos mais carentes. O que está em jogo são as toneladas de alimentos que sobram nos buffets de hotéis, nos rodízios de churrascarias, nas prateleiras dos supermercados. Não são os restos do prato. São as sobras que ficaram na panela e, hoje, fatalmente acabam no lixo. O projeto Mega Cidades é coordenado pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), que trabalhará em conjunto com Marilu Rangel, representante do "Projeto City Harvest" no Rio-- uma experiência vitoriosa em Nova Iorque (EUA). No Rio, esse projeto de combate à fome já foi apresentado a empresários do ramo hoteleiro, churrascarias, restaurantes, supermercados e para a Associação Comercial. A boa receptividade levou a uma reunião, marcada para amanhã, no IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), com a presença do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. A idéia é definir a participação de cada um. Em São Paulo (SP), um grupo de empresários inaugurou semana passada um serviço de captação de alimentos que seriam desperdiçados pela indústria e pelo varejo para distribuição à população carente. A entidade, batizada de Banco de Alimentos, reúne associações de empresas do varejo, atacado, restaurantes e engenheiros de alimentos que se encarregaram de vasculhar estoques em busca de produtos em boas condições de consumo e que iriam para o lixo. "Há vários tipos de alimentos como macarrão, arroz, feijão, óleo e biscoitos, que mesmo estando próximo do vencimento de sua validade, ainda estão em boas condições de consumo e mesmo assim vão parar no lixo", afirma o coordenador-geral da entidade, Dante Gallian (O Globo).