Dois meses depois de ter prometido ao Viva Rio que iria convocar com urgência as Forças Armadas e a Polícia Federal para uma ação de combate à criminalidade no estado-- onde a média anual de mortes é superior a da guerra do Vietnã--, o governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), decepcionou de vez os integrantes do movimento. "Somos pacientes. Mas não vamos ficar calados diante da omissão. O governador vem adiando o cumprimento dessa promessa indefinidamente", protestou ontem o coordenador do Viva Rio, Rubem Cesar Fernandes, referindo-se à grande reunião, com representantes de todas as forças de segurança sediadas no estado, que jamais chegou a se realizar. Com um drible semântico-- anunciando que haverá em breve um "seminário" sobre a violência no estado-- o governador pretende transformar em um debate teórico o que deveria ser um encontro de trabalho, durante o qual se discutia a aplicação efetiva do plano contra a criminalidade, envolvendo as Forças Armadas. No seminário, ele já anunciou que pretende expor números com os quais espera comprovar que não é apropriada para o contexto do Rio a expressão "escalada vertiginosa da violência", citada num documento do Viva Rio, mesmo levando em conta que 7.720 pessoas foram assassinadas na cidade somente em 1993, enquanto a média anual de mortes na guerra do Vietnã era de 5.288 (JB).