Não haverá mais debates entre os presidenciáveis antes de três de outubro. Desentendimentos entre os candidatos e o desinteresse das grandes redes de TV provocaram o cancelamento, no fim de semana, dos debates que estavam sendo organizados pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Folha de S.Paulo/TV Cultura. A Folha e a TV Cultura pretendiam promover um debate em duas etapas, nos dias 29 e 30, enquanto a ABI articulava um pool de emissoras de rádio e TV para transmitir um debate no dia 26. A Folha anunciou sua desistência no dia 17, diante da dificuldade de chegar a um acordo entre os candidatos. Após um balanço do quadro, a ABI também decidiu sair de cena. "Não retomaremos a organização do pool. Já fizemos o nosso papel", afirmou ontem o diretor da ABI, Alfredo Vianna, lamentando o fracasso das negociações. Dos principais candidatos, Leonel Brizola (PDT) foi o único, durante as negociações com a ABI, que não impôs condições à sua participação no debate do dia 26. A gota dágua que entornou a paciência da ABI foi um fax enviado pelo candidato do PMDB, Orestes Quércia, no último dia 16. Informou o candidato que só iria ao debate se os dois primeiros colocados nas pesquisas-- Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)-- também comparecessem, notadamente o primeiro (JB).