As possíveis vitórias em disputas por governos estaduais e a provável derrota na eleição presidencial prometem mudar a divisão de poderes e alguns dogmas do PDT. O partido está acostumado a girar em torno de seu fundador e líder, o candidato à Presidência Leonel Brizola. Na avaliação de diversos pedetistas, o partido não será o mesmo: embora se evite falar em um enfraquecimento de Brizola, sua derrota é admitida em meio à concordância de que os vencedores das eleições estaduais sairão fortalecidos. "A liderança de Brizola não vai ficar absoluta. Isto, pela idade dele (72 anos) e pelo fato de ser esta sua segunda derrota em eleição presidencial", disse o senador Lavoisier Maia, candidato ao governo do Rio Grande do Norte. "O PDT tem de aprender a ouvir as urnas, que apontam para uma urgente reciclagem do partido", afirma o candidato pedetista ao governo de Mato Grosso, o ex-prefeito de Cuiabá Dante de Oliveira. De acordo com as estimativas de seu vice-presidente nacional, Manoel Dias, o PDT poderá eleger de seis a oito governadores (atualmente tem três) e de sete a 10 senadores (tem cinco). Poderá também dobrar o número de deputados federais (atualmente são 34). Ainda na dependência do resultado das urnas, as discussões no PDT apontam para um fortalecimento de correntes mais próximas a um modelo social-democrata (FSP).