A CANDIDATURA DE ENÉAS CARNEIRO À PRESIDÊNCIA

O candidato do Prona à Presidência, Enéas Carneiro, há cerca de dois meses, revoltado com o modo folclórico com que era tratado pela imprensa, fez um pedido aos repórteres: "Quero ser levado à sério". A última pesquisa do Vox Populi prova que Enéas foi atendido. Apesar de sempre ser considerado um candidato "nanico" e excêntrico, Enéas surge com força eleitoral suficiente para definir a realização do segundo turno. De repente, o PT passou a torcer por ele e os tucanos discutem sua ascensão com a maior seriedade. Empatado com Leonel Brizola (PDT) e Orestes Quércia (PMDB), Enéas, com 4% é o único com tendência a crescimento e, em uma semana, segundo o diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, deve atingir o terceiro lugar, provocando o segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A pergunta que preocupa todos os adversários, neste momento, é: "Qual a explicação para o fenômeno?" Com um discurso contra os políticos e suas práticas, Enéas conseguiu sensibilizar o eleitor cético. Na opinião do cientista político René Dreifuss, esse discurso, além de capitalizar a indignação, abriu caminho para a excitação ideológica de organizações como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que estavam "órfãos de espaço" e sem lideranças e transformaram Enéas no nome da nova direita. Dreifuss analisa o candidato do Prona dentro da onda de propagação das idéias nacionalistas, fascistas e autoritárias da Europa. "Entre as décadas de 20 e 30 e de 80 e 90, os políticos se projetaram captando a insatisfação e a rejeição às propostas social-democratas, se colocando como paladinos desses grupos que queiriam ajustes", observa. "Se fecharmos os olhos para ouvi-lo, encontraremos semelhança com alguns discursos feitos em alemão na década de 30", compara. Segundo o cientista, há um ambiente propício no país para partidos de tendência de direita. "Enéas é o único candidato com discurso ideológico", diz Dreifuss. Os eleitores e políticos do Prona rejeitam o rótulo de nova direita e qualquer comparação com os neofascistas ou neonazistas. A seguir, algumas teorias do Prona e seu candidato à Presidência: Ordem e Estado-- "Todo poder existe para ser efetivamente exercido". "A desordem tornou-se a regra no país". "O país está à beira do caos". "O Estado que nós preconizamos é forte, técnico e intervencionista". Educação-- "Acabaram com tudo! E o fizeram de propósito, para conduzir nosso povo, tal como uma manada de búfalos, para um verdadeiro precipício". A formação de valores-- "A televisão dissemina uma idéia falsa, de que os valores éticos não existem mais". Liberdade-- "A liberdade absoluta leva a um verdadeiro massacre dos mais fracos pelos mais fortes" (JB).