MEDIDAS DE CIRO GOMES COMPROMETEM OS ACORDOS SETORIAIS

As primeiras medidas de Ciro Gomes à frente do Ministério da Fazenda comprometeram os acordos fechados nas câmaras setoriais entre trabalhadores, empresários e governo. A redução das alíquotas de importação e a interferência nas negociações da greve dos metalúrgicos do ABC paulista resultaram na quebra dos acordos das câmaras de brinquedos e automotiva. "Uma das bases da estabilização é a confiança. Perdemos a confiança de assinar qualquer outro tipo de acordo", disse o presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Emerson Kapaz. Reservadamente, o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo admite que tanto metalúrgicos quanto empresários têm razão nas queixas de quebra dos acordos. A câmara setorial de brinquedos havia decidido em junho que a alíquota de importação seria mantida em 30% até o final do ano. Mas o ministro da Fazenda incluiu o setor entre os que tiveram o imposto baixado para 20%. A greve dos metalúrgicos também tem como uma das causas o descumprimento do acordo da câmara setorial. Pelo acordo, haveria reposição mensal da inflação. O governo desconheceu o acordo, e ainda interferiu nas negociações para inviabilizar a reposição da inflação de julho e agosto (FSP).