A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Porto Alegre (RS) denunciou ontem ao Ministério Público a morte do gari Danilo Almeida Costa, de 19 anos, em consequ"ência de mais de quatro horas de torturas no Palácio da Polícia. Levado pela polícia, o gari chegou ao Hospital de Pronto Socorro já morto. Segundo testemunhas, Danilo sofreu choques elétricos e afogamentos. O delegado João Carlos Carivalli, da Delegacia de Capturas, negou que Danilo tenha sido torturado por seus agentes, como denunciaram os parentes do gari. Segundo o delegado, houve uma fatalidade. Na sua versão, o jovem "sofria do coração e teve um ataque cardíaco quando estava depondo e sendo autuado em flagrante por porte ilegal de armas (dois revólveres e uma espingarda)". A noiva do gari, Rute Lemos, de 19 anos, deu outra versão: quatro policiais invadiram sua casa no último dia 14, agredindo as seis pessoas que lá estavam e dizendo que estavam à procura de armas e de drogas. Danilo, que não tinha antecedentes criminais, entregou dois revólveres e uma espingarda, roubadas, e que estavam econdidas no pátio da casa. Todos foram levados para a Delegacia de Capturas e ouviram os gritos de Danilo durante a sessão de tortura (JB).