Do ponto de vista do empresariado, a queda das barreiras alfandegárias do MERCOSUL, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, a partir de 1o. de janeiro de 1995 será só uma solenidade, pois já é frenético o ritmo de negócios entre empresas desses países que buscam parceiros entre os vizinhos. Para se ter uma idéia, ontem, no encerramento do I Encontro de Negócios do Mercosul, o Mercotrade, foi constatada a possibilidade de negócios de US$110 milhões a serem concretizados em um ano. Esse volume foi o resultado de 1.980 reuniões entre 1.460 executivos de 993 pequenas e médias empresas e três entidades empresariais dos quatro países do MERCOSUL, reunidos durante quatro dias no Rio de Janeiro (RJ). "A grande mudança que se viu aqui aconteceu na cabeça dos empresários, que começam a buscar parcerias comerciais que permitam aumentar a competitividade dos dois sócios, que assim ganham espaço para alcançar outros blocos econômicos", diz o diretor de operações do Sebrae-RJ (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa-Rio de Janeiro), Fernando de Oliveira Santos. O presidente do Sebrae-RJ, José Carlos Figueiredo, crê que a feita mostrou que o Rio está adquirindo um enorme dinamismo, comandado pelas pequenas e médias empresas instaladas aqui. "O Mercotrade é o símbolo da abertura das empresas do Rio para o MERCOSUL", diz. A expectativa do secretário-geral da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), Antônio Antunes, é ver formado dentro de 10 anos um grande bloco econômico formado pelos países-membros do MERCOSUL e do Pacto Andino, somados ao Chile e México (que não fazem parte de nenhum pacto no bloco sul), formando o Mercado Comum da América Latina. "O objetivo da nossa reunião foi juntar instituições de fomento às pequenas empresas desses países e identificar linhas de ação que permitam estabelecer a participação dessas empresas nos processos de integração", explica. Para ajudar esse processo, a ALADI recomendou ontem, no encerramento da reunião dos representantes de instituições de fomento e apoio a pequenas e médias empresas da América Latina, a utilização da Bolsa de Sub-contratação e Negócios organizada pelo Sebrae. Através dela, qualquer empresa brasileira ou estrangeira poderá acessar um banco de dados que até agora já cadastrou 71.872 produtos fabricados por 48.505 empresas brasileiras. O sistema organizado pelo Sebrae será interligado ao sistema da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Omudi), que tem cadastradas 13.904 empresas latinas. O secretário-geral da ALADI afirmou ainda que os acordos de preferência a serem fechados até 15 de dezembro próximo pelos participantes do MERCOSUL com os países da ALADI deverão ser promovidos com cautela, para que a liberação tarifária acertada não sofra retrocesso posteriormente. Antônio Antunes explicou que a idéia é manter as preferências que já existem como piso, e não como teto tarifário, partindo-se para uma maior liberação até chegar a alíquota zero, no prazo de 10 anos, uma vez que não há interesse, por parte dos membros da ALADI, de interromper o comércio existente. A regra para os países da América do Sul já está definida e prevê a desgravação automática e linear para a maior parte do universo de mercadorias, à base de 10% ao ano, com as listas de exceções sendo desfeitas de forma progressiva (JB) (JC).