É grave para a saúde da democracia que a população a associe à pobreza e à concentração de renda, advertiu Fernando Zumbado, diretor-regional para a América Latina e o Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), durante a conferência "Sociedade Civil na América Latina e no Caribe", que se realiza em Washington (EUA). O principal desafio para os governos da região é saber harmonizar eficiência com equIdade, pois se o empobrecimento e a injustiça social vêm associados ao custo da democracia "essa não será duradoura, e provavelmente nem sequer relevante, para as pessoas comuns", disse. A conferência, organizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), reuniu 288 altos funcionários de governos da região e especialistas de organismos internacionais. O presidente do BID, Enrique Iglesias, assinalou que o crescente consenso quanto a aspectos puramente econômicos do desenvolvimento serviu para pôr em destaque a urgência de encontrar caminhos para pagar a antiga dívida social que a América Latina tem com os setores menos favorecidos da população. "Enquanto toda a América Latina está envolvida num movimento em direção à redução da ingerência do Estado na economia, torna-se evidente que é necessário ampliar ao mesmo tempo a ação do Estado em matéria social e a participação da sociedade civil no governo", disse Iglesias. O secretário-geral interino da Organização dos Estados Americanos (OEA), Christopher Thomas, opinou que tanto a modernização do Estado quanto o fortalecimento da sociedade civil "estão seriamente ligados à consolidação das instituições democráticas, assim como o desenvolvimento de uma cultura política democrática" (JC).