Após cinco anos de "vacas magras", a agricultura brasileira ganhou fôlego este ano, favorecida pela recuperação dos preços agrícolas no primeiro semestre (principalmente soja e café) e também pelo crescimento da produtividade. O valor da produção agrícola este ano, segundo projeção do economista Fernando Homem de Melo, da FIPE-USP, deve chegar a US$23,163 bilhões, resultado 9,5% superior ao de 1993. "É o melhor desempenho desde 90", diz. A pesquisa, que abrange 19 produtos, foi feita com base nos preços médios recebidos pelos produtores nos primeiros seis meses (93 e 94) e utilizou a taxa de câmbio média do primeiro semestre de 94. O aumento da receita agrícola, avaliado em US$2,005 bilhões, conseguiu reanimar o mercado de insumos. De janeiro a agosto, as vendas de máquinas agrícolas-- também aquecidas pela disponibilidade de crédito para investimento-- cresceram 75,9% em comparação com igual período de 93 e devem encerrar o ano com 42 mil unidades, o melhor resultado desde 1987. O faturamento da indústria de agrotóxicos cresceu 14,6% no período de janeiro a julho (US$538,6 milhões, contra US$469,8 milhões em 93). "Os agricultores este ano estão mais capitalizados e boa parte deles pode até dispensar o crédito rural e plantar a próxima safra com recursos próprios", diz o economista. As agências do Banco do Brasil receberam ontem R$700 milhões do Fundo Extramercado, criado pelo governo para suplementar a demanda pelo crédito rural. O dinheiro é dirigido preferencialmente às lavouras do Norte e do Nordeste. O BB espera liberar, nos próximos 15 dias, mais R$300 milhões para completar a cota de pouco mais de R$1 bilhão destinados ao plantio da safra 1994/95 (FSP).