CPT DENUNCIA MORTES NA ÁREA RURAL DO PAÍS

Nos primeiros oito meses deste ano foram assassinados 11 trabalhadores rurais em diversas regiões do país. Somente no Estado do Maranhão, 12 pessoas entre trabalhadores, agentes de pastoral e lideranças sindicais e políticas estão ameaçados de morte, de acordo com documento produzido esta semana pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e entregue à Organização de Direitos Humanos Pax Christi, que está com uma comitiva de 11 pessoas no Brasil investigando a violência no campo e nos centros urbanos. No documento intitulado Análise de Conjuntura, a CPT alerta a organização, que presta assessoria para a ONU na área de direitos humanos, para o que considera um elemento preocupante: "a revitalização da União Democrática Ruralista (UDR) com a retomada das milícias armadas agindo em conjunto com a polícia na proteção do latifúndio". De acordo com a CPT, "na ocupação de terras por parte de médios proprietários, comerciantes e até pessoas de classe média no Pará, Mato Grosso do Sul e São Paulo fica evidente que o Poder Judiciário tem sido favorável ao latifúndio produzindo uma verdadeira indústria de liminares para supostos proprietários; quando se trata de defender a vida dos trabalhadores e reconhecer direitos adquiridos de posseiros, o Judiciário quase sempre tem sido omisso ou moroso". No relatório constam dados mais recentes levantados pela CPT sobre a violência no campo: "60 posseiros da fazenda Alagoinha no município de Jacobina, na Bahia, foram presos e despejados pelo juiz da comarca; 100 agricultores sem-terra, no município de Laranjal, no Paraná, foram despejados por jagunços armados com a cobertura da Polícia Militar; ainda no Paraná, 12 famílias de posseiros com mais de 20 anos de posse, numa terra de propriedade da União, no município de Barracão, foram despejadas por ordem judicial" (O ESP).