PROJETO MOSTRA QUE MENORES QUEREM DEIXAR RUA

Se no início as caminhonetes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social da prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) recolhiam apenas 12 menores, em média, passados 10 dias do início do projeto "Vem Pra Casa, Criança", os menores brigam para serem levados para os dois abrigos improvisados pela prefeitura em centros comunitários de Guadalupe e Senador Camará. Anteontem à noite foram recolhidos 50 menores, que é a capacidade total nesta primeira etapa do projeto. Hoje, a realidade é diferente: as crianças que foram recolhidas há 10 dias recomendaram o abrigo para os outros menores. A procura duplicou. Quando as kombis chegam, as crianças já estão à sua espera. Os meninos e meninas que vivem nas ruas da cidade são levados para os abrigos e devolvidos na manhã seguinte. A prefeitura fez uma parceria com a organização não-governamental Se Essa Rua Fosse Minha, na qual os menores podem optar por passar o dia inteiro na sede da entidade, em Laranjeiras, participando de atividades esportivas e culturais. Quem não quiser, volta para a rua. "A maioria sempre volta para o abrigo. Já estamos podendo trabalhar esses meninos. Além disso, eles trazem outras crianças", conta a assistente social Sonia Maria de Oliveira Rosa, que trabalha no Centro Comunitário de Guadalupe (O Globo).