Em decisão inédita, os dirigentes sindicais da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical resolveram se unir para protestar contra a interferência do governo nas negociações salariais dos metalúrgicos. As duas entidades estão convocando para hoje representantes de todos os sindicatos de trabalhadores e da sociedade civil para uma plenária no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). "Apesar das divergências políticas entre a CUT e a Força Sindical temos assuntos comuns de interesse dos trabalhadores", afirmou Heiguiberto Della Bella Navarro, o Guiba, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT. "Temos que protestar contra a ingerência do governo nas negociações", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e dirigente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. "Se o governo quiser endurecer o jogo o movimento sindical também pode ampliar as greves", completou. Em Brasília, o presidente Itamar Franco autorizou o ministro da Fazenda, Ciro Gomes, da Justiça, Alexandre Dupeyrat, e do Trabalho, Marcelo Pimentel, a manter, hoje, encontros em separado com os representantes dos metalúrgicos e dos empresários. Ao final do dia, espera receber um relatório detalhado dos entendimentos, que pode por fim à greve iniciada no último dia 12 (O ESP).