As rígidas políticas antiinflacionárias recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial (BIRD) e pelos governos dos países industrializados, e adotadas pelos em desenvolvimento comprometem o crescimento econômico, afirma a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (UNCTAD) em seu relatório anual divulgado ontem. Segundo a UNCTAD, essa perspectiva negligencia a importância de administrar a demanda como fator impulsionador do desenvolvimento e trata, invariavelmente, a inflação como uma ameaça maior do que o desemprego. O pêndulo se incluiu demais para um lado só, comenta o relatório, aconselhando a comunidade internacional a rever suas estratégias para os países em desenvolvimento. A excessiva ênfase no combate à inflação prejudica igualmente os países industrializados, na opinião dos economistas da UNCTAD, e está levando a uma recuperação da recessão muito mais lenta do que seria desejável. O relatório prevê um crescimento global de 2,5% em 1994. Embora os países em desenvolvimento prometam uma performance média superior, de 4% este ano, a UNCTAD observa que a América Latina ainda é um "risco" alto e não recuperou totalmente sua capacidade de atrair investimentos, apesar do afluxo de capitais. Outras idéias atacadas pela UNCTAD são a da "liberdade dos mercados" como fator básico para a promoção do crescimento sustentado e a excessiva confiança na iniciativa privada. Em vez de reduzir drasticamente o papel do governo na economia, o desejável, segundo o relatório, é uma "estreita associação entre empresários e governo", com o último "manipulando as forças do mercado de forma a garantir que as empresas, individualmente, atinjam seus objetivos em harmonia com os interesses de longo prazo do empresariado". A intervenção do governo se faria através do estímulo ao investimento, coordenação dos planos de expansão e abertura do acesso aos recursos para a produção (JB).