As mulheres do mundo estão se juntanto para fiscalizar o resultado da Conferência sobre População e Desenvolvimento, encerrada no último dia 13 no Cairo (Egito). Depois de nove dias de conversações e algumas vitórias de grupos feministas em favor do aborto, as Organizações Não- Governamentais (ONGs) agora vão tratar de pôr em prática o documento da ONU. "Nosso trabalho agora é garantir a implementação do que foi decidido", disse a ex-congressista dos EUA e presidente da Womens Environment and Development Organization (WEDO), Bella Abzug. "É claro que nenhum documento é perfeito, mas esperamos que os direitos reprodutivos passem a ser prioridade", disse Abzug. Mas de acordo com a jornalista Thaís Corral, também membro da organização, é preciso monitorar as próprias ONGs. "Foram algumas ONGs que implementaram a política controlista de esterilização em massa no Brasil", avisa. A intenção das feministas é adotar uma malha de informação permanente em diversos setores. "Por enquanto podemos nos comunicar através da Internet e da WEDO, assim como através de muitas organizações internacionais. Mas a maior parte do trabalho vai ser interno, em forma de lobbies governamentais", explica Corral. Se a WEDO acredita que a conferência foi um sucesso, outros grupos de mulheres pensam o contrário. "Foi um fiasco. Ignora-se o preceito da família como algo que motiva o ser humano a amar a vida", criticou a catedrática do departamento de Economia da Universidade Católica de Washington, Sofia Aguirre. "É fácil monitorar decisões feitas para países onde a legislação permite fenômenos como o aborto. Mas o problema de aumentar as oportunidades das mulheres no mercado de trabalho foi ignorado", acrescentou. Outra ONG, a Anti-Slavery International, alertou para um problema não tratado na conferência: o aumento dos casamentos de meninas antes da puberdade, numerosos na África e na Ásia (JB).