METALÚRGICOS CONTINUAM A PARALISAÇÃO

A greve dos metalúrgicos do ABC paulista ganhou ontem a adesão de mais 2.500 metalúrgicos da Brastemp e de duas pequenas empresas de componentes, a Nordon e a Picolli. Agora são 67.404 parados no ABC e mais 13.160 em São Paulo e no interior do estado, num total de 80.504. O presidente Itamar Franco convocou para hoje uma reunião com os ministros do Trabalho, Marcelo Pimentel, e da Fazenda, Ciro Gomes, para fazer uma análise da greve e seus efeitos sobre a economia. Ciro Gomes garantiu que a posição do governo será a de defender o Plano Real, evitando o repasse para os preços dos aumentos salariais fora da data-base. Em assembléia, cerca de 20 mil metalúrgicos decidiram manter a greve por tempo indeterminado e pediram para que o governo sai das negociações. "Se o governo não parar de se intrometer vamos recusar a oferta de abono dos empresários e voltar a pedir o reajuste mensal de salários", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Heiguiberto Navarro, o Guiba. O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, pediu aos grevistas para economizarem ao máximo: "É para garantir fôlego para a greve, que deve ser longa". Os metalúrgicos de São Caetano do Sul, ligados à Força Sindical, rejeitaram a proposta de adesão à greve. O desconto das horas paradas com dois dias de greve representa 60% do abono que os metalúrgicos do ABC receberiam se o acordo com os empresários tivesse sido fechado. As montadoras estão deixando de fabricar 6.658 veículos, com uma perda de faturamento de US$133,16 milhões-- valor quase cinco vezes menor que o total que seria gasto se o abono fosse pago a todos os metalúrgicos (O ESP) (O Globo).