A Comissão Européia, o Executivo da União Européia, está avaliando de que forma poderá ser negociada com o MERCOSUL um acordo para ampliar as relações entre os dois blocos. A idéia de estabelecer um intecâmbio comercial livre de tarifas alfandegárias não está descartada, mas o grau de complexidade envolvendo esse tipo de negociação é de tal ordem que, por enquanto, as autoridades européias são cautelosas ao avaliar o assunto. "O que existe no momento é um grande interesse da União Européia em ampliar e fortalecer as relações com o MERCOSUL, mas esperamos do Brasil-- que é o principal país do MERCOSUL-- uma sinalização do que deve conter esse acordo", disse ontem, em São Paulo (SP), o chefe de gabinete da diretoria para a América Latina da Comissão Européia, Leonello Gabrici. Gabrici explicou que um eventual acordo de livre comércio entre os dois blocos não implica apenas em zeragem de tarifas alfandegárias para um determinado número de produtos. "Há uma série de regras que precisariam ser harmonizadas. Certificados de origem, normas técnicas e outras mais", disse. A negociação envolvendo produtos agrícolas também tocaria em um ponto extremamente sensível aos europeus. Os resultados dessa rodada, diz Gabrici, tem implicações em novos acordos a serem negociados pela União Européia. Um acordo com o MERCOSUL não poderia ser feito, por exemplo, nos mesmos moldes dos acordos negociados com alguns países do Leste Europeu. Esses acordos costumam beneficiar alguns setores específicos em cada país. Um acordo com o MERCOSUL teria que ser mais abrangente (GM).