O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem uma série de dúvidas com relação ao Plano Real. Em um documento sigiloso enviado à equipe econômica, a instituição cobra explicações sobre pontos críticos do plano e deixa transparecer dúvidas quanto a metas colocadas pelo governo. Entre as dúvidas do Fundo estão temas como mensalidades escolares, aluguéis, "congelamento" das tarifas de energia elétrica e combustíveis, o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, o equilíbrio das finanças públicas, o impacto do aumento do salário-mínimo na Previdência, as dificuldades financeiras dos bancos públicos, a sustentabilidade da política de queda da cotação do dólar e as próximas medidas do Plano Real. O documento pergunta: pode se dizer que preços e contratos estão livres se existem tantas regulamentações, como no caso das mensalidades escolares e aluguéis? O questionário foi enviado dia 12 de agosto ao Brasil. Está assinado pelo representante brasileiro junto à diretoria executiva do FMI, Alexandre Kafka. O acompanhamento do plano pelo Fundo era previsto pelo Ministério da Fazenda. O governo espera obter parecer favorável. As respostas da equipe econômica devem ser apresentadas ao Fundo na reunião anual da instituição e do Banco Mundial (BIRD), entre os dias 26 de setembro e sete de outubro, em Madri (Espanha) (FSP).