FIESP DIZ QUE PLANO REAL ESTÁ DESESTABILIZADO

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, afirmou onem que a greve dos metalúrgicos do ABC paulista "já desestabilizou o Plano Real, independente do seu sucesso ou insucesso". Segundo ele, "a simples deflagração da greve já desestabilizou o plano". "Não se pode antecipar a discussão da data- base", referindo-se à reivindicação dos metalúrgicos de alterar de abril para novembro a data de negociação. O presidente da FIESP também disse que a greve dos metalúrgicos é eleitoreira e que os empresários vão endurecer com os grevistas. Inoportuna, inadequada e apressada, foram outros adjetivos usados por Moreira Ferreira para definir a greve. Também o presidente em exercício da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Mário Amato, criticou a greve. Ele disse que a greve "é um direito" mas não pode ter fins eleitorais. Para o ministro do Trabalho, Marcelo Pimentel, apenas se a greve tiver êxito "será um fator de desestabilização do Plano Real". O ministro garantiu, no entanto, que o governo não permitirá que as montadoras do setor automobilístico repassem os aumentos de salários a seus preços. Segundo ele, as montadoras "tem gorduras resultantes do período inflacionário, no qual acumularam lucros excessivos, e podem conceder os aumentos sem necessariamente repassá-los aos preços" (O ESP) (FSP).