Barrar os controlistas. Assim a demógrafa Elza Berquó, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, define sua missão com a delegação brasileira na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento que se realiza no Cairo (Egito). Para a pesquisadora, sempre que se traçam metas de redução do crescimento da população em sociedades sem fluxos migratórios significativos como o Brasil, passa-se por cima de direitos e garantias individuais das pessoas, principalmente as mulheres. Nesse ponto, Elza está satisfeita com o documento que ajudou a produzir nas reuniões preparatórias à Conferência do Cairo. Afinal, o Plano de Ação fez referência aos direitos reprodutivos (a liberdade de casais e indivíduos de decidir livremente como, quando e com que espaçamento ter filhos) e repete algumas dezenas de vezes que métodos coercitivos de planejamento familiar não devem ser utilizados. A pesquisadora diz que o documento do Cairo é o primeiro texto internacional a afirmar a existência dos direitos reprodutivos. Para Elza, a única forma "humana" de diminuir as taxas de crescimento populacional é através do que, no Cairo, chama-se "empowerment of women" ou, para o Itamaraty, "promoção da condição da mulher". Quando as mulheres têm acesso a educação e informação sobre como evitar filhos, elas começam a ter menos filhos. Segundo a pesquisadora, isso se deve, basicamente, à maior urbanização da população e às lentas melhorias nos sistemas de seguridade social em todo o planeta. Quando as pessoas se mudam do campo para a cidade e quando começam a contar com aposentadoria paga pelo Estado, já não têm necessidade de muitos filhos para sustentá-las na velhice (FSP).