SENADORES MAIS JOVENS E PROGRESSISTAS

O discreto, lento e corporativista Senado Federal dificilmente será o mesmo a partir destas eleições. Não só por causa da renovação obrigatória de dois terços de sua bancada, mas em especial porque as pesquisas indicam uma nítida mudança de perfil, político e pessoal, na nova safra de senadores. Consolidam o favoritismo, por exemplo, José Serra (PSDB-SP), Benedita da Silva (PT-RJ), Vilson Kleinubing (PFL-SC) e Roberto Freire (PPS-PE). Eles têm em torno de cinqu"enta anos de idade-- bastante jovens, portanto, para uma Casa tradicionalmente dominada por septuagenários-- e em geral são de partidos de esquerda ou centro-esquerda. A exceção neste segundo caso é do pefelista Kleinubing, de 49 anos, mas também ele comporta o rótulo de "progressista", se considerado seu estilo de administrar e a modernidade que conseguiu imprimir no seu estado, como governador. Estas eleições vão mudar o eixo de gravidade do Senado, a favor dos
82302 progressistas, comemorou o senador e candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, Mário Covas. "Vem gente mais nova, mais brigona, mais criadora de caso. O que é ótimo!", acrescentou Covas, que completa nesta Legislatura os oito anos a que tinha direito no Senado. O Senado vai ter uma maior afirmação das forças democráticas, das forças
82302 que têm uma visão moderna do papel do Estado e do próprio Congresso, disse o candidato Roberto Freire. "E até a própria renovação de idade vai ser favorável, para se dar maior amplitude e grandeza às funções do Senado", diz ele, aos 52 anos. Outros favoritos, até agora, são: Francelino Pereira (PFL) e Virgílio Guimarães (PT), em Minas Gerais; Antônio Carlos Magalhães (PFL) e Waldir Pires (PSDB dissidente), na Bahia; Márcia Jubitschek (PP), Lauro Campos (PT) e José Roberto Arruda (PP), no Distrito Federal; Lúcio Alcântara (PDT) e Mauro Benevides (PMDB), no Ceará; José Fogaça (PMDB) e César Schirmer (PMDB), no Rio Grande do Sul; Carlos Wilson (PSDB), em Pernambuco; Bernardo Cabral (PP) e José Dutra (PMDB), no Amazonas; Ronaldo Cunha Lima (PMDB) e Humberto Lucena (PMDB), na Paraíba; e Cacildo Maldaner (PMDB), em Santa Catarina (GM).