O candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, classificou de "provocação" e "precipitação inadequada" a greve que os metalúrgicos paulistas começam hoje, para reivindicar 11,89% de reposição salarial. Em Belém (PA), o senador tucano disse que "a população quer, antes de mais nada, estabilidade da moeda". Para FHC, "a população percebe que, ao forçar antecipação agora, os metalúrgicos colocam em risco essa estabilidade". Já o ministro da Fazenda, Ciro Gomes, chamou a paralisação de "um mau exemplo" para as outras categorias e disse que ficará atento para Impedir a indexação". A greve foi mencionada no horário de propaganda gratuita na TV pelo candidato do PMDB, Orestes Quércia: "Ela mostrará que o Plano Real é oco", disse. No comício que fez à tarde para duas mil pessoas em Cidade Tiradentes, bairro pobre da capital paulista, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu: "A greve não tem nada a ver com a nossa campanha". A duração da greve depende exclusivamente do ministro Ciro Gomes, segundo os empresários e os trabalhadores. Por eles, nem haveria greve. Na tentativa de evitá-la, sindicalistas e empresários viajaram ao Rio de Janeiro no dia 10 e reuniram-se com o ministro. Ele se comprometeu a apresentar uma solução alternativa ao acordo que fora fechado na véspera. Os sindicalistas disseram para o ministro que as montadoras haviam dito que não repassariam para os preços a reposição salarial dos 11,87% do IPC-r pós-real. Os representantes das montadoras fecharam-se com Ciro Gomes depois (JB) (O Globo).