MENINAS DE NOVE ANOS JÁ SÃO MÃES NO RIO DE JANEIRO

Elas viveram a maternidade antes mesmo da adolescência. De bairros diferentes, mas com histórias semelhantes, as mães adolescentes já representam 16,1% das mulheres que tiveram filhos, ano passado, no Município do Rio de Janeiro (RJ). Desse total, cinco eram meninas com menos de 10 anos. A gravidez também se antecipou à puberdade para 494 meninas entre 10 e 14 anos que, ano passado, entraram em trabalho de parto, segundo registros das maternidades. Na faixa dos 15 aos 19 anos, o número de novas mães chegou a 14.438. Na maioria dos casos, a gravidez já as encontrou fora da escola ou foi fator decisivo para que abandonassem os estudos. Oriundas, quase sempre, de famílias de baixa renda, essas jovens chegam aos postos de saúde com informações precárias sobre contracepção, gravidez e maternidade. Muitas só iniciam o pré-natal a partir do quinto mês, quando não é mais possível esconder a gravidez-- o que aumenta ainda mais os riscos de bebês de baixo peso, de nascimentos prematuros e de complicações no parto. Foi a primeira vez que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro reuniu informações tão abrangentes e detalhadas sobre gravidez na adolescência. O levantamento-- com base no Serviço de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc) em 1993, de notificação obrigatória-- permitirá que, com os dados de 1994, inicie-se uma série histórica comparando-se as mudanças ano a ano. "A gravidez na adolescência reproduz um ciclo de pobreza e desinformação. Muitas dessas meninas são filhas de mães adolescentes, que já viveram essa situação. Para interromper esse círculo vicioso é preciso intensificar a assistência pré-natal e o apoio à mãe adolescente a fim de que tenham melhores condições de criar seus filhos", declarou Viviane Manso Castelo Branco, gerente do Programa de Saúde do Adolescente da SMS (O Globo).