A 8a. cúpula presidencial do Grupo do Rio terminou ontem, no Rio de Janeiro (RJ), com um documento que condena o bloqueio comercial a Cuba. O texto-- uma página, separada da declaração oficial-- busca numa conciliadora retórica diplomática um consenso que não existe entre os 14 chefes de Estado que integram o grupo. O documento reafirma a autodeterminação de Cuba, mas enfatiza valores democráticos. É uma opinião vaga o suficiente para que todos pudessem endossá-la. Dessa maneira, não se condicionou o fim do embargo comercial à realização de eleições livres, que é o que os EUA queriam. O Grupo do Rio também divulgou um documento breve sobre a questão do Haiti. Há um apelo para que os militares deixem o governo. A maneira de se atingir esse objetivo, no entanto, é a via diplomática e não a invasão. O documento não faz referência à Resolução 940 da ONU, que autoriza a intervenção no Haiti. A declaração oficial do Grupo do Rio é uma tentativa de pautar a Cúpula das Américas, a reunião dos países da OEA que o presidente dos EUA, Bill Clinton, convocou para dezembro em Miami. Em 24 parágrafos, o documento enfatiza a necessidade de investimentos em projetos de desenvolvimento. O documento final não apresentou grandes surpresas, com um consenso dos participantes sobre a necessidade de ampliação do número de participantes do Conselho de Segurança da ONU, do combate ao narcotráfico e ao terrorismo, e da transferência de tecnologia por parte dos países desenvolvidos e integração regional (FSP) (O ESP).