A imagem mais divulgada da situação dos aposentados brasileiros são os 12 milhões de idosos obrigados a sobreviver com a miserável pensão de um salário-mínimo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no entanto, há cinco milhões de brasileiros, com mais de 50 anos, que ganham mais do que três salários-mínimos. No topo da pirâmede, encontram-se cerca de 200 mil aposentados de classe média que mantêm um padrão de vida próximo ao dos tempos de ativa. Conseguem isso porque construíram um bom patrimônio, mas principalmente porque são vinculados a algum plano de previdência privada, que complementa a aposentadoria do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), cujo teto é de 10 mínimos. São pessoas que fizeram carreira em empresas estatais ou grandes corporações, sobretudo multinacionais, que até pouco tempo eram as únicas empresas a oferecer o privilégio dos planos de previdência a seus funcionários. A recessão dos anos Collor, paradoxalmente, ajudou a aumentar no país essa multidão de consumidores com tempo e dinheiro para gastar. É que as grandes empresas foram forçadas a enxugar seu quadro e muitos executivos que já tinham tempo para se aposentar receberam o empurrão que faltava (JB).