MÉDICOS SÃO CANDIDATOS A DEPUTADO NA PARAÍBA

Os médicos formam hoje a bancada da política mais forte da Paraíba. Coronéis, fazendeiros e advogados, tradicionais "donos" do poder, assistem com certo espanto ao domínio político de cirurgiões, ginecologistas e clínicos gerais, em mais da metade dos 171 municípios de um dos estados mais carentes do Nordeste. Pertencentes a diferentes legendas, os médicos- candidatos levam vantagens. Em vez de discursarem de forma empolada, que os sertanejos não entendem, eles dão consultas debaixo das árvores, na beira de estradas e em feiras-livres. Muitos distribuem remédios, pagam exames, fazem cirurgias sem cobrar e, assim, garantem o êxito político. O poder deles não está restrito apenas às cidades pobres do sertão, mas se estende a municípios em que não faltam médicos, hospitais e maternidades em funcionamento. Assim que chegam a uma cidade, eles são perseguidos por potenciais eleitores doentes ou ávidos por ajuda material. Esse movimento é suficiente para deixar consultórios e hospitais quase vazios. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Paraíba registrou 243 candidatos para a eleição deste ano, dos quais 26 (10,7%) são médicos. A atual composição da Assembléia Legislativa serve como exemplo de força da categoria: um terço dos 36 deputados largou a medicina ou concilia a profissão com a política. Os atuais candidatos-- 18 para Assembléia e oito para o Congresso-- têm o apoio de 20 prefeitos médicos que conseguem indicar e transferir votos para seus candidatos (O ESP).