MAIORIA APROVA TEXTO SOBRE ABORTO NO CAIRO

Foi aprovado ontem o capítulo sobre aborto da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento da ONU que ocorre no Cairo (Egito). Malta, Argentina e Equador vão assinar o documento expressando à parte suas reservas. O Vaticano deve esperar até o próximo dia 13, último dia da conferência, para dar sua opinião. Ontem, durante a reunião do Comitê Principal, o representante de Roma chegou a elogiar a nova redação do parágrafo 25 do capítulo 8, que trata da questão do aborto. Essa nova redação foi obtida anteontem à noite, depois de vários dias de intensas negociações. O novo capítulo diz de modo bastante incisivo que o aborto não é em hipótese nenhuma um método de controle de natalidade e diz de forma bastante clara que devem ser tomadas todas as medidas para evitar o recurso ao aborto. O novo texto diz também que decisões acerca da legalidade do aborto só podem ser tomadas por países de acordo com seu processo legislativo. A nova versão traz também a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) de aborto inseguro: "procedimento para interromper a gravidez indesejada realizado por pessoas sem os conhecimentos necessários ou em um ambiente sem as mínimas condições médicas ou os dois". Ontem, os delegados chegaram a um amplo acordo sobre o financiamento do Plano de Ação, que contém recomendações para conter o crescimento demográfico. Pelo acordo, os gastos com controle da população passarão dos atuais US$7 bilhões para US$17 bilhões no ano 2000-- e US$21,7 bilhões em 2015. As propostas sobre financiamento foram aprovadas sem a cláusula que vinha sendo chamada 20/20. Ela estabelecia que 20% de todas as doações dos países ricos fossem para áreas sociais assim como 20% do orçamento dos países pobres fosse para a mesma área (FSP) (O Globo).