O subsecretário de Estado dos EUA para assuntos interamericanos, Alexander Watson, praticamente descartou ontem, no Rio de Janeiro (RJ), a possibilidade de uma solução pacífica para a crise haitiana ao buscar o apoio dos 14 países do Grupo do Rio ao plano de intervenção no país caribenho. O argumento de Watson é o fracasso dos esforços para convencer o governo de fato a abandonar o poder voluntariamente. "A OEA vem há três anos buscando maneiras pacíficas de fazer isso, e toda a comunidade internacional também. Mas cada passo foi rejeitado pelo general Raoul Cedras". A referência ao fracasso das gestões da OEA serviu-lhe certamente de munição contra as queixas de muitos governos de que a solução militar viola o princípio de não-intervenção contida na Carta da Organização. Sobre esse aspecto, Watson observou também que a ONU está acima da OEA. A intervenção foi autorizada expressamente pelo Conselho de Segurança das
82237 Nações Unidas e a OEA está, nesse sentido, abaixo da ONU, disse ele. O apelo de Watson encontrou bastante resistência entre os chanceleres do Grupo do Rio. Manifestaram apoio ao plano apenas Carlos Figueroa Serrano, do Chile, Guido di Tella, da Argentina, e Ralph Maraj, de Trinidad e Tobago. O conselheiro Eduardo Faria, do Itamaraty, disse que a reunião deverá aprovar um documento em que todos os países do Grupo do Rio farão um apelo para que os militares haitianos deixem o poder, numa última tentativa de evitar a invasão (O Globo).