ONU MUDA TEXTO SOBRE ABORTO PARA ATENDER AO VATICANO

Os delegados da Conferência da ONU sobre População e Desenvolvimento, que se realiza no Cairo (Egito), tentaram ontem agradar ao Vaticano com uma definição diferente de "aborto seguro" no projeto de documento final. A Santa Sé afirmou que as alterações são o primeiro passo na direção certa. Mas criou nova polêmica ao criticar a conferência por destinar, em seu Programa de Ação, US$10 bilhões ao planejamento familiar, "e nada à educação ou à redução da mortalidade infantil". Nicolas Biegman, vice-presidente da comissão que redigiu o texto, disse que a nova versão especifica o significado de "aborto seguro". A Santa Sé afirma que aborto, por definição, não pode ser seguro. O trecho fica assim: "Aborto não seguro é o procedimento para interromper uma gravidez realizado por pessoas que não dispõem dos conhecimentos necessários ou num ambiente onde não existem os mínimos requisitos médicos". "Essa definição parece resolver as ansiedades de algumas delegações", disse Biegman. Na nova redação, o aborto passa a ser qualificado de problema de saúde Importante", e não mais "primordial", como anteriormente. A frase circunstâncias nas quais o aborto é legal foi substituída por circunstâncias nas quais o aborto não é contrário à lei (O Globo).