Ao tomar posse ontem no cargo, o novo ministro da Fazenda, Ciro Gomes, traçou as diretrizes de sua política econômica. São elas: Política cambial-- A determinação do Banco Central de não intervir no mercado de câmbio será mantida. O BC adotará novas medidas para desregulamentar o mercado e aumentar a demanda por dólares, permitindo assim um melhor equilíbrio da taxa de câmbio. Política monetária-- O governo vai manter rigorosamente os limites de emissão de moeda fixados na medida provisória do real. Indexação-- O ministro não admitirá o repasse de reajustes salariais aos preços dos produtos. Na sua visão, a indexação é "o mal maior que alimenta a cultura inflacionária". Ciro Gomes afirma que não se pode voltar à época em que o aumento de preços funcionava como piso, alimentando o crescimento da inflação, pois isto traz prejuízo ao trabalhador. Especulação-- O governo está atento aos aumentos especulativos de preços, procurando equilibrar a oferta e procura de produtos. O ministro considera positivo o aumento do consumo nas classes pobres, mas não hesitará em usar as importações sempre que aumentos abusivos de preços colocarem em risco a estabilidade da moeda. Austeridade-- O governo vai lutar para garantir o equilíbrio das contas públicas. Só será gasto aquilo que for arrecadado. O Tesouro não emitirá "nenhum tostão" para cobrir gastos do Orçamento. Os títulos só serão emitidos para rolar a dívida pública. Privatização-- O programa será mantido, dentro do objetivo de modernização do Estado brasileiro. O processo de venda das estatais será submetido a um rígido "controle moral". Plano Real-- O ministro dará continuidade ao programa dentro de uma linha de cautela e gradualismo. Nenhuma medida de impacto será adotada depois das eleições, pois o governo é avesso a choques, confiscos e congelamentos (O Globo).