EMPRESÁRIOS DIVERGEM SOBRE A VALIDADE DE NEGOCIAR PACTO

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Amato, anunciou ontem a disposição da classe empresarial de viabilizar um pacto de controle de preços que vigoraria pelo menos até o final deste governo. Durante a cerimônia de transmissão de cargo de Rubens Ricúpero para Ciro Gomes, novo ministro da Fazenda, em Brasília (DF), Amato chegou a expor a idéia para o candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, que gostou a proposta. "Chegou a hora de o empresariado ganhar com o aumento da produtividade, com o fim das especulações e com o incremento das vendas. Não mais com os reajustes de preços", comentou FHC. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, foi mais cauteloso ao comentar a proposta: É preciso estudar, antes de anunciar as coisas. Um pacto deste tipo
82222 sempre é possível, desde que todos tenham disposição de perder um
82222 pouco. De acordo com Amato, ""há um apoio espontâneo ao Plano Real e se não houver nenhuma modificação na sua condução ou algum problema maior sobretudo na área internacional, é possível a redução ao mínimo dos reajustes de preços". Para contornar eventuais problemas, o presidente da CNI defende a utilização das câmaras setoriais. "Chega de conversa fiada. Vamos ver se este será um pacto de verdade, com o engajamento, inclusive, da classe política, que até hoje inviabilizou as demais iniciativas deste tipo", observou o presidente da FIESP. A proposta dos empresários inclui negociar com o governo a suspensão de medidas como a abertura total à importação, redução de juros e impostos, além de uma reforma constitucional que inclua pontos como o fim dos monopólios estatais. Da articulação participa, além do presidente da CNI, o empresário Jorge Gerdau, que comanda a chamada Ação Empresarial-- grupo surgido para defender os intereses do setor privado durante a fracassada revisão constitucional (GM) (JB).