A Venezuela foi convidada ontem pelo Brasil para negociar um acordo de livre comércio com o MERCOSUL. Segundo o embaixador José Arthur Denot Medeiros, responsável pelos assuntos econômicos do Itamaraty, as negociações entre o MERCOSUL e o governo venezuelano vão começar na semana de 19 a 23 deste mês, em Montevidéu. O presidente venezuelano, Rafael Caldera, aceitou o convite e observou que quer negociar o ingresso no MERCOSUL "no prazo mais rápido possível". Outros países-membros da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) negociarão acordos de livre comércio com o MERCOSUL. Hoje, no Rio de Janeiro (RJ), o MERCOSUL e o Chile iniciam a negociação de um acordo de livre comércio, em 10 anos. É o começo da formação de uma Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA). "O MERCOSUL está numa fase de consolidação interna, através de uma união aduaneira e de uma zona de livre comércio, e de expansão externa, com a ALCSA", definiu Denot Medeiros. Bolívia, Equador, Peru e Colômbia serão os próximos países a negociar com o MERCOSUL, também na semana de 19 a 23 deste mês. O México, também membro da ALADI, é um caso à parte. Em vez de negociar um acordo de livre comércio com o governo mexicano, o MERCOSUL negociará em bloco uma lista de produtos para os quais será pedida compensação. O México, ao aderir ao NAFTA, deixou de estender preferências comerciais dadas aos EUA e ao Canadá a seus parceiros latino-americanos. Por essa razão, terá de pagar compensações. As negociações entre o MERCOSUL e os mexicanos vão começar até o final de outubro, comentou Denot Medeiros. O chanceler chileno, Carlos Figueroa, explicou ontem que seu país não vai aderir plenamente ao MERCOSUL porque a Tarifa Externa Comum (TEC) é maior do que a tarifa única chilena de 11%. A TEC, que vai vigorar a partir de 1o. de janeiro de 1995, oscilará entre zero e 20% para a maior parte das mercadorias. O acordo entre o Chile e o MERCOSUL, que já está sendo chamado de "quatro mais um", envolverá não apenas redução de tarifas alfandegárias, mas outros temas, como cláusulas de salvaguarda, incentivos às exportações, preferências comerciais, lista de produtos sensíveis e zonas francas (GM).