NOVO OFÍCIO DE STEPANENKO LEVA PT AO TSE

Um novo documento assinado pelo ministro das Minas e Energia, Alexis Stepanenko, está sendo usado pelo PT para tentar provar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o uso da máquina pública em favor da candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à Presidência. No ofício, enviado por faz do Ministério ao Palácio do Planalto, Stepanenko consulta o presidente Itamar Franco sobre a possibilidade de sua presença, bem como a de FHC, na inauguração do Terminal Portuário de Barra dos Coqueiros, em Sergipe. O documento foi publicado ontem no jornal "Correio Braziliense". A obra deveria ter sido inaugurada no último dia 25 de agosto, segundo a sugestão do ministro, mas Itamar achou que poderia haver exploração política e decidiu adiar a solenidade para depois das eleições. Não tenho dúvida de que já existe base para a impugnação da
82197 candidatura de Fernando Henrique, afirmou o deputado federal Chico Vigilante (PT-DF), ao protocolar cópia do ofício no TSE. A nova denúncia foi recebida com cautela no tribunal. Fontes disseram que esta pode ter sido uma opção isolada de Stepanenko. O "uso do dinheiro público", essencial para a caracterização do abuso, não estaria efetivamente demonstrado. A coligação Frente Brasil Popular, que apóia Luiz Inácio Lula da Silva, quer que este novo documento seja investigado no inquérito que já tramita no TSE para apurar se a máquina do governo está sendo usada para ajudar FHC. Lula pediu ontem o afastamento de Stepanenko. "A denúncia contra Stepanenko é tão grave quanto a conversa de Ricúpero com o Monforte. O mesmo presidente que teve a coragem de afastar Ricúpero tem, moralmente, que afastar este outro ministro", afirmou. Em nota oficial, o presidente Itamar Franco disse que não pretende punir o ministro das Minas e Energia. "Há enorme diferença entre uma sugestão e seu acatamento", afirma o presidente. Para ele, "se não houve utilização da máquina como admitir punições?". A nota acrescenta: "Este governo não admitiu e nem admitirá qualquer prática ilícita, em nenhum de seus escalões, em favor de qualquer candidato dos que são preferidos por seus servidores" (O Globo) (O ESP).