CEPAL AVALIA ACORDOS DE INTEGRAÇÃO NA AMÉRICA LATINA

A América Latina não deve permitir que a teia de acordos de livre comércio que cobre toda a região se fragmente em "quatro ou cinco blocos maciços", mas precisa lutar por uma maior integração, alerta a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe da ONU (CEPAL). Acordos bilaterais e multilaterais, hoje mais de 30, poderão "fundir-se em um grande bloco ou, inclusive, dividir a região, segundo Gert Rosenthal, secretário-executivo da comissão. Além de 22 acordos bilaterais, recentemente foram constituídos diversos pactos regionais, incluindo o NAFTA; a união das alfândegas no âmbito do MERCOSUL; e o Grupo dos Três, constituído por México, Colômbia e Venezuela. Outros blocos estão surgindo na América Central e na bacia do Caribe. Rosenthal teme que esses acordos contribuam apenas para redirecionar o comércio em lugar de criá-lo. O comércio regional cresceu espetacularmente-- as exportações na região aumentaram 50% ao ano desde 1990--, mas é muito difícil determinar exatamente causa e efeito. "Nós não sabemos até que ponto (o aumento do comércio) é resultado da existência de tratamentos preferenciais, até que ponto se deve ao efeito indireto de comunidades empresariais terem tomado consciência da existência recíproca, ou até que ponto isto teria acontecido, de uma maneira ou de outra, na ausência mesmo de um acordo comercial", afirmou. O que é certo é que as nações que se encontram às margens dos pactos de livre comércio-- como os países do Caribe no caso do NAFTA-- provavelmente ficarão prejudicadas, tanto em termos de comércio quanto de investimentos, disse. Rosenthal não quer que o processo pare: "O que estamos dizendo é: por que não caminhamos com estes acordos de comércio de forma a minimizar os riscos dos desvios do intercâmbio e a maximizar o potencial da criação de intercâmbio?" Os governos poderiam fazer isso padronizando os acordos comerciais, utilizando as normas do GATT em sua fase inicial, e ampliando a gama de bens cobertos por pactos. As nações deveriam fundir os acordos vigentes em lugar de constituir alianças bilaterais. Do lado positivo, Rosenthal acredita que os governos da América Latina, quase todos civis e eleitos democraticamente, compartilham de uma visão política de uma integração mais íntima. O conceito de integração, baseado na idéia de substituição de importações, na década de 60, agora migrou para o terreno do livre mercado. "Os governos estão tentando redescobrir o sentido da integração internacional em um sistema de intercâmbio mais aberto", disse (GM).