A TV Globo e a EMBRATEL não estão se entendendo sobre os detalhes técnicos que permitiram às antenas parabólicas de todo o país captar as inconfidências do ex-ministro Rubens Ricúpero ao jornalista Carlos Monforte. Informe confidencial da EMBRATEL, preparado a pedido do Palácio do Planalto, alerta que a transmissão via satélite da entrevista foi uma solicitação da própria Globo. Segundo o documento, a estatal apenas fez o seu trabalho, não tendo nenhuma responsabilidade sobre o que aconteceu. Na sucursal de Brasília (DF) da TV Globo a versão é outra: os técnicos da EMBRATEL teriam, deliberadamente, deixado de informar à emissora que as imagens estavam sendo geradas por satélite, e não por cabo terrestre-- um serviço mais barato, mas sujeito a interferências que baixam a qualidade da transmissão. Segundo um técnico da Globo, a emissora pede, normalmente, que os dois transmissores sejam utilizados. "Mas quando eles usam o satélite, nós somos avisados", explicou, admitindo, no entanto, que o satélite é o procedimento mais usado pela Globo em todo o país. Os dirigentes da EMBRATEL têm um argumento que, para eles, é definitivo do ponto de vista técnico: a empresa simplesmente não poderia arbitrar que tipo de transmissão seria feita, pois um serviço é mais caro do que o outro. Além disso, ninguém, mesmo que estivesse de má-fé, poderia advinhar que Ricúpero teria um acesso de verborragia naquele dia. "Se a transmissão foi via satélite, é porque a Globo assim pediu. Quanto a isso, não há a menor dúvida", explica um técnico graduado da EMBRATEL. Segundo ele, a única maneira de evitar que as parabólicas captem o sinal do satélite é, como que acontece com as TVs a cabo, instalar um codificador na emissora e um decodificador no destinatário (JB).