GOVERNO PROMETE COMBATE URGENTE À FOME

A miséria e a mortalidade infantil não podem esperar o fim da campanha eleitoral para serem combatidas. Com esse argumento, o presidente Itamar Franco autorizou, a um mês da eleição, a realização de uma operação de emergência nos 10 municípios mais pobres do país, em ação articulada entre vários ministérios. A exemplo do que foi feito no município de Teotônio Vilela (AL), onde a distribuição de cestas básicas, leite e ações de saúde conseguiram reduzir drasticamente a mortalidade de crianças em dois meses, o governo vai atacar já a fome no Nordeste. Os municípios de Nossa Senhora dos Remédios (PI), Graça (CE), Desterro (PB), Cabaceiras do Paraguaçu (PB), Prata do Piauí (PI), Isaías Coelho (PI), São João do Tigre (PB), Novo Triunfo (BA), Cajapiú (MA) e Palmeirândia (MA) foram os escolhidos para receber as primeiras ações de emergência pelos critérios de pobreza estabelecidos no último censo do IBGE. As operações de emergência nos 10 municípios mais pobres do país devem ser iniciadas na próxima semana e prevêem a distribuição de leite para gestantes e crianças através do Instituto de Alimentação e Nutrição, de cestas básicas à população carente, de merenda escolar também nos fins de semana, além da criação do programa de agentes comunitários de saúde. Temos que combater esse quadro dramático com ações que vão envolver os
82160 ministérios da Educação, da Saúde e da Agricultura, com o Exército
82160 atuando na fiscalização da distribuição dos alimentos, prega a assessora de Assuntos Sociais do Palácio do Planalto, Denise Paiva, que propôs ao presidente Itamar Franco que as ações de combate à pobreza e à mortalidade infantil sejam estendidas a 100 municípios nordestinos até o final do governo. Em Nossa Senhora dos Remédios (PI), o IBGE detectou que 94,8% das crianças de zero a seis anos vivem em domicílios onde o chefe da família ganha até um salário-mínimo; 71,4% dos pais têm menos de um ano de estudo e 94,9% dos domicílios têm abastecimento de água inadequado. Em Graça (CE), o quadro também é dramático: nada menos que 99% das residências têm um deficiente sistema de abastecimento de água e 11,1% dos domicílios têm mulheres como chefes de família, que sobrevivem com menos de um salário-mínimo (JB).