OS TEMAS DE ABERTURA DA CONFERÊNCIA DO CAIRO

Melhorar as condições de vida da mulher e ajuda ao desenvolvimento de países do Terceiro Mundo foram os temas centrais do primeiro dia da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que começou ontem no Cairo (Egito) e deverá terminar no próximo dia 13. Participam do encontro 3.500 pessoas, representando 182 países, além de outras cinco mil participações de integrantes de organizações não-governamentais, e outras mil registradas individualmente. Duas mulheres, ambas primeiras-ministras de seus respectivos países, Gro Harlem Brundtland, da Noruega, e Benazir Butto, do Paquistão, destacaram a necessidade de elevar o papel da mulher, e, principalmente, oferecer-lhe educação que contribua para reduzir a natalidade. "Poucos investimentos são tão rentáveis como investir na mulher", argumenta Brundtland, ao enfatizar que a educação das mulheres é o caminho mais importante para aumentar a produção, reduzir a fertilidade e alcançar, assim, uma vida melhor. A representante do Congresso dos EUA, Patricia Schoroeder, destacou que não é nem um pouco agradável que 60% da população do mundo, mulheres,
82154 só recebam 1% dos recursos. Vários países, especialmente os EUA e a União Européia (UE), atribuíram à natalidade fora de controle a deterioração da situação econômica nas nações em vias de desenvolvimento. Outros países apontaram o desequilíbrio das relações entre países ricos e pobres como a causa dos fracassos das nações subdesenvolvidas em superar suas crises econômica e social, agravadas nos últimos anos. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, pediu aos governos que reduzam seus orçamentos militares para utilizar esse dinheiro "em recursos humanos necessários para o desenvolvimento". Segundo fontes da conferência, os países ocidentais crêem que, a menos que as nações em via de desenvolvimento reduzam de forma drástica o número de nascimentos, os seus programas de desenvolvimento serão inúteis. A maneira de reduzir o aumento acelerado da população é objeto da principal polêmica nessa conferência, junto com o aborto e a educação sexual, assuntos sobre os quais não há acordo entre os participantes nem no texto do programa de ação. A ONU quer formular uma estratégia de desenvolvimento econômico e social para as próximas décadas e encomendou relatórios para embasar as posições dos países. O Brasil vai procurar no Cairo obter-- entre outros pontos-- um compromisso mais firme dos países desenvolvidos para uma revisão das causas estruturais que provocam os fluxos migratórios. E concorda com a criação de um foro para deliberar sobre políticas e programas relacionados com a população e desenvolvimento. Dirá que o aborto deve ser remetido às legislações nacionais, porque é uma questão de saúde pública (GM).