Nafis Sadik, presidenta da Conferência da ONU sobre População e Desenvolvimento, que começa hoje no Cairo (Egito), disse ontem que cerca de 90% do documento a ser debatido já contam com o consenso dos participantes. Por isso, a conferência começará justamente pelos pontos polêmicos, particularmente os capítulos que abordam a saúde sexual e reprodutiva da mulher e o planejamento familiar. A ONU realiza a cada 10 anos uma conferência sobre população. A deste ano tem o objetivo de aprovar um programa de ação para os próximos 20 anos que tente controlar o crescimento demográfico do mundo sem ferir princípios culturais, religiosos e direitos individuais. Entre os temas polêmicos, o destaque vai para o do aborto. "Devemos examinar exaustivamente os fatos sobre o aborto. A cada ano são praticados 50 a 60 milhões. Esta é uma ameaça real para a vida e a saúde das mulheres. Entre 70 mil e 200 mil vidas se perdem a cada ano em consequ"ência desses abortos", disse Sadik. Para o Vaticano, porém, a formulação do projeto de programa foi inspirada nos EUA e pode levar à legalização do aborto pelo simples pedido da mãe, o que é condenado pela Igreja Católica. Os países islâmicos também criticam o documento, acusando-o de incentivar a promiscuidade e a desintegração da família. Arábia Saudita, Líbano, Sudão e Iraque boicotarão a conferência (O Globo).