BANCO DE ALIMENTOS COMBATE DESPERDÍCIO

No próximo dia 14 será lançado em São Paulo o primeiro "Banco de Alimentos" do Brasil. O sistema existe em 180 países e visa aproveitar a comida que é desperdiçada em supermercados. Ela será enviada para entidades que ajudam pessoas carentes. A idéia foi trazida ao país pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, e pelo empresário Oded Grajew, presidente da Fundação Abrinq (Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos) pelos Direitos das Crianças. O "Banco de Alimentos" vai funcionar recolhendo produtos que sobram nas prateleiras de supermercados devido a problemas na embalagem ou por estarem com o prazo de validade vencido. Esses alimentos serão enviados para laboratórios de análise que vão atestar se eles ainda têm condições de consumo. Em caso positivo, a comida será distribuída para os comitês contra a fome que fazem parte da campanha de Betinho. As primeiras entidades que vão receber os alimentos são casas de apoio a menores carentes mantidos pelo padre Júlio Lancellotti, da Arquidiocese de São Paulo. Atualmente, a comida que sobra nos supermercados se transforma em ração animal. Segundo o representante da Fundação Abrinq no "Banco de Alimentos", Alfredo Setti, as grandes redes de supermercados estão apoiando a idéia. O presidente do banco será o vice-presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), Firmino Rodrigues Alves, do supermercado Túlia. "Além de colaborarem para o combate à fome, os supermercados estarão fazendo um bom negócio", diz Setti. Segundo ele, ao doarem para o banco os alimentos que não foram comercializados, os supermercados economizam o que gastariam com a armazenagem e com a burocracia necessária para a devolução dos produtos para seus fabricantes. Além disso, as doações dos supermercados poderão ser abatidas do imposto de renda. Setti explica que o "Banco de Alimentos" vai começar a funcionar recebendo apenas a linha de alimentos chamada "seca", que são os não-perecíveis, como o arroz, o feijão e o macarrão. No futuro, o banco pretende difundir cursos sobre como manter uma horta comunitária, além de criar programas de entrega de cestas básicas e pratos prontos para populações carentes (FSP).