O Uruguai deve reduzir o peso da Previdência Social para concorrer com sucesso no MERCOSUL, advertiu ontem Jorge Sienra, diretor da Comissão Uruguaia de Negociações Setoriais no bloco de integração. Sienra, que dirige a Comissão desde 1991, quando foi criado o MERCOSUL, disse que o Uruguai deverá realizar essas e outras mudanças antes do ano 2001, data- chave no processo iniciado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A partir desse ano vigorará uma completa união alfandegária na região, sem proteções, dentro da qual a competitividade industrial será um elemento fundamental. Em 2001 também serão eliminados o Convênio Argentino-Uruguaio de Complementação Econômica e o Protocolo de Expansão Comercial assinado com o Brasil, que dão certas preferências a setores produtos deste país. Segundo organizações empresariais do MERCOSUL, até meados de julho a Argentina apresentava o maior volume de encargos sociais na área. O peso do sistema previdenciário representa 50% sobre os salários brutos na Argentina, enquanto no Uruguai chega a 37,75%, incluindo as contribuições dos trabalhadores e dos empresários. O custo da Previdência Social para os patrões é liderado pela Argentina, com 33%, contra 28,8% no Brasil. O Uruguai fica em terceiro lugar, com 20,5%, enquanto o Paraguai é o último, com 16,5%. Quanto à contribuição direta dos trabalhadores dos quatro países do MERCOSUL, ela é mais pesada para os operários uruguaios, que contribuem com 17,25% ou 18,25%, segundo o valor do salário. Os argentinos pagam 17% e os brasileiros 8%, enquanto os trabalhadores paraguaios têm descontos em folha de 9,5% (JC).